O Renovador

Expulsa de Portugal em 1834, perseguida nos países de Leste e impedida de receber novas vocações, em 1909, a Congregação dos Marianos estava prestes a desaparecer, contando apenas com um membro, Pe. Vicente Senkus.

Pe. Jorge Matulaitis/Matulewicz, conhecendo a Congregação dos Marianos, pede para entrar nela e oferece-se para a renovar a fim de poder subsistir em ambiente de perseguição.

O Pe. Jorge nascera na aldeia conhe­cida por Luginé, na Lituânia, no dia 13 de Abril de 1871, de pais piedosos e honestos, o qual foi baptizado no dia 20 do mesmo mês e foi chamado de Jorge Boleslau.

Desde tenra idade sobressaiu na piedade e bebeu o temor de Deus juntamente com o leite materno.

Pelos três anos de idade, no ano de 1874, ficou órfão de pai e, no ano de 1881, também de mãe. O seu irmão mais velho, sendo tutor, tratou-o bastante duramente. Acabados pois os estudos do Ginásio, parecendo de fraca saúde, o irmão julgou que os trabalhos do campo con­tribuiriam mais para a saúde do Servo de Deus do que os estudos.

Abandonados portanto os estudos, Jorge foi obrigado a lançar-se na vida do campo, quan­do já tinha dezassete anos de idade e sentia no seu coração a vocação para o estado ecle­siástico.

A vocação de Padre Diocesano

No ano de 1891, aos vinte anos de idade, com o auxílio de um parente, foi recebido no seminário da diocese de Kielce (Polónia); e aí, por causa dos estudos e atendendo às circuns­tâncias próprias daquele tempo, Jorge mudou o seu apelido para a versão polaca de «Matulewicz»; passados dois anos, foi enviado ao Seminário de Varsóvia e, como sobres­saísse pela grande capacidade de inteligência e pela aplicação, no ano de 1895 foi admitido na Academia Eclesiástica Romano-Católica de Petrogrado, e aí, no ano de 1899, fez o Mestrado em Sagrada Teologia, com o supremo louvor.

Dia 20 de Novembro de 1898, foi ordenado sacerdote, e, com o consentimento do Bispo, dirigiu-se para a Suíça, frequentou a Universi­dade e foi declarado Doutor em Sagrada Teolo­gia com a totalidade dos votos e com louvor.

Regressando à diocese de Kielce, ensinou direito canónico e latim no seminário.

A sua fraca saúde desde jovem agrava-se tendo por isso de ser hospitalizado numa clínica de Varsóvia para os pobres, onde foi tratado em seguida com a maior caridade pelas Irmãs do S. Coração de Jesus. Recuperada a saúde, mostrou o espírito de gratidão às Irmãs ensi­nando religião às jovens educandas.

Em Varsóvia, fundou associações para os operários, para os estudantes universitários e para os sacerdotes e realizou conferências acerca dos assuntos sociais.

Chamado em 1907 para a Academia Ecle­siástica de Petrogrado (Rússia), primeiro ensi­nou Sociologia e em seguida Teologia dogmá­tica.


Bispo de Vilna e Visitador Apostólico para a Lituânia

Terminada a Guerra entre a Rússia e a Ale­manha, dia 23 de Outubro do mesmo ano de 1918, foi nomeado Bispo de Vilna pelo Pontí­fice Bento XV. No 1.° de Dezembro do mesmo ano, em Kaunas, recebeu a consagração e no dia 8 do mesmo mês entrou na Catedral de Vilna.

Governou durante sete anos com a maior prudência a diocese e a cidade de Vilna, sujeita a várias transformações.

No ano de 1925, após ter sido estabelecida a concordata entre a Polónia e a Sé Apostólica, devida à qual a Sé de Vilna foi promovida a Sé Metropolitana, o Bem-aventurado Jorge, Lituano, pediu prudentemente a exoneração, de modo a que fosse nomeado mais facilmente o novo Arcebis­po. O Pontífice Pio XI aceitou a resignação e, no dia 1 de Setembro de 1925, nomeou-o Arcebispo titular de Adule, e, no mesmo ano, enviou-o como Visitador Apostólico para a Lituânia.

Preparou aí o esquema da Província Ecle­siástica da Lituânia, que a Sé Apostólica criou no ano de 1926 pela Constituição «O Povo Li­tuano». Compôs finalmente o exemplar da Con­cordata com que se regulavam melhor as rela­ções entre o Governo Lituano e a Sé Apostólica.

Enviou o seu Relatório para Roma, e, en­quanto pensava dirigir-se em pessoa à Cidade Eterna, foi acometido por doença grave, em Kaunas, e conformado à vontade divina, depois de receber piedosamente os Sacramentos, dia 27 de Janeiro de 1927, terminou com uma santa morte a sua santa vida toda cheia de actividade.

Foi beatificado a 20 de Junho de 1987, pelo Papa João Paulo II.

O Beato Jorge foi um apaixonado por Cristo e pelo Igreja, imprimindo à Congregação renovada esse mesmo espírito, expresso no lema da Congregação: “Por Cristo e Pela Igreja”.

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