Visita guiada

Passos do Senhor

Ao chegar ao sopé da montanha, depois de haver saboreado a água fresca da antiga «Fonte dos Frades», localizada a algumas dezenas de metros atrás, junto da estrada, poderá começar a meditar a Paixão de Jesus Cristo, através da contemplação dos «Passos do Senhor», distribuídos por 8 Capelas, dispostas ao longo da montanha, que datam do século XVIII e XIX, a saber:
– Primeira capela – Jesus Orante e Agonizante no Horto das Oliveiras («vigiai e orai para não cairdes em tentação»);
– Segunda capela – Jesus Flagelado («Pilatos prendeu Jesus e mandou-O flagelar»);
– Terceira capela – Jesus coroado de espinhos e manietado é apresentado à multidão («Eis o Homem»);
– Quarta capela – Jesus a Caminho do Calvário com a Cruz às costas («O Divino Senhor da Costa»), em imagem considerada milagrosa, colocada numa capela com o tecto ornamentado de pinturas simbólicas alusivas ao Messias, inspiradas na Bíblia, e recheada de numerosos cajados (ex-votos), em memória de curas obtidas, o que lhe valeu o nome popular, desde 1777, de «Capela do Senhor dos Cajados»;
– Quinta capela – Jesus cai debaixo da Cruz («os meus joelhos enfraqueceram»);
– Sexta capela – Jesus a ser despido de Suas vestes e amargurado com fel, com os instrumentos da Paixão e o Sepulcro («deram-Me a beber vinho misturado com fel»);
– Sétima capela – Jesus morto na Cruz, assente sobre um expressivo quadro das almas do purgatório que, assim, saúdam o Senhor, descido à mansão dos mortos: «Chegaste finalmente, ó nosso Redentor!»;
– Oitava capela – Maria com o Filho de Deus e Seu próprio Filho morto nos braços, no momento da dor como Mãe do Messias sofredor, mostra-se, por excelência, como a «Mulher da fé», e a todos nós lança um amoroso desafio: «Vede se há dor semelhante á minha dor!».

Cemitério ou «Portão do Céu»

Junto da Capela do Senhor dos Cajados, poderá fazer um minuto de silêncio orante, no pequeno cemitério, construído no ano lectivo de 1970/71. Está ladeado por duas torres que saem da antiga muralha, uma ainda em ruínas, a outra já reedificada, a servir de depósito de água. Inaugurado pela sepultura na qual foram colocadas as «ossadas» dos antigos Marianos e outros habitantes de Balsamão, desde 1973 hospeda os restos mortais dos dois irmãos Emanuel e Jorge Gonçalves (1.12.65-9.12.73; 25.10.77-17.05.79), o primeiro dos quais faleceu em Balsamão, durante uma estadia com seus pais, sendo as suas últimas palavras uma mensagem de amizade para todos nós: «eu quero ser sempre amigo!»; do bondoso Padre Ladislau Mroczek, MIC (21.07.1890-6.01.1976), polaco, ex-Superior Geral da Congregação dos Marianos da Imaculada Conceição, que, desde 1957 serviu Cristo e a Igreja, contribuindo valiosamente para a reconstrução material e espiritual do Convento, partindo para a eternidade com um filial sorriso para Nossa Senhora que ele amou e levou os outros a amar intensamente como Mãe admirável; da Irmã S. Mateus (6.03.1899-6.02.1982), das Irmãs Servas Franciscanas Reparadoras de Jesus Sacramento, que faleceu em Balsamão quando as Irmãs tinham uma comunidade neste santuário; do Irmão Alfredo da Ressurreição, MIC (26.10.1906-24.02.1985), o primeiro Mariano Português a partir para o Senhor desde o regresso dos Marianos a Portugal, que deixou profundas marcas na montanha de Balsamão, sobretudo no embelezamento do jardim; do Padre Fernando Francisco de Freitas, MIC (21.09.1912-8.09.90), que era padre da diocese de Vila Real e se quis fazer mariano, deixando a todos um bom testemunho de alegria e bom humor, durante os 9 anos que esteve connosco; do Irmão Casimiro Zmijowski, MIC (15.02.1910-7.05.1995), que desde 1957, data em chegou a Balsamão, deu um testemunho de silêncio e laboriosidade, servindo a comunidade como exímio apicultor; do Pe. José Manuel Morais, MIC (22.06.1943-9.01.2003), natural de Covelas (Alfândega da Fé), que desde menino veio para os Marianos, amou muito a Congregação e por ela se gastou, atraindo novas vocações para os Marianos, tendo sido vitimado pelo cancro do cólon, quando contava apenas 59 anos de idade; do Pe. Estanislau Szymanski (12.11.1922 -1.10.2010), tendo chagado a Balsamão em 1972, trabalhou no Seminário, foi mestre de Noviços, dedicou-se de alma e coração à tradução do Diário de Santa Faustina e à divulgação da mensagem da Misericórdia, amou muito a Congregação, “polaco de nascimento, português de coração”,faleceu a 1 de Outubro de 2010, de angina de peito.

A Igreja de Nossa Senhora de Balsamã

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No interior da Igreja, sentir-se-á logo embebido por uma misteriosa atmosfera de contemplação mariana. A Igreja, do início do séc. XVIII, restaurada recentemente (de 2008 a 2010), de facto, é um hino de arte em honra da Mãe de Deus, tanto em escultura como em pintura.
Após uns momentos de adoração a Jesus Cristo vivo no Sacrário, poderá começar a visita pela capela-mor.
A ábside, em talha dourada, de estilo barroco, conta, no cimo do altar-mor, com uma elegante escultura da Imaculada Conceição e, nos nichos laterais, com uma imagem recente do Sagrado Coração de Jesus e outra, antiga mas restaurada, de S. José com o Menino Jesus. À direita, um conjunto escultórico sobre o mistério da Imaculada Conceição, constituído pelas estátuas de S. Joaquim e Santa Ana de cujos corações saem as hastes do caule de uma bela açucena, sobre a qual assenta uma expressiva estátua da Imaculada Conceição. À esquerda, a imagem da Padroeira do Santuário, Nossa Senhora de Balsamão.
O tecto do presbitério, fazendo um todo com as paredes laterais, é todo em madeira policromada, com símbolos alusivos ao mistério cristão. Ao centro, está pintada uma ampla figura de Nossa Senhora de Balsamão (Assunta ao Céu), rodeada de Anjos. Do lado esquerdo do altar de Nossa Senhora de Balsamão, a cerca de 1 m de altura, aparece nome do presumível pintor: Damian Rodriguez.
Descendo da capela-mor, à sua direita, do lado do púlpito dourado, uma lápide assinala o túmulo do Venerável Servo de Deus Frei Casimiro de S. José Wyszynski, para onde foram trasladados os seus restos mortais, no dia 20 de Outubro de 1955, tendo, nessa altura, tocado os sinos da torre, por um período significativo, sem intervenção humana. Nas obras recentes, tendo sido aberto o túmulo, foi também aí colocada a urna velha que jazia no antigo túmulo. Por cima, um quadro com a efígie do Servo de Deus.
No tecto, a partir da sua esquerda, poderá admirar as pinturas de alguns episódios da vida de Maria: o Seu nascimento, a Sua Apresentação no Templo pelos pais; Ela, adolescente, a ser catequizada por Sua mãe; os Seus esponsais com S. José; Ela com o Menino Jesus nos braços e Sua prima Isabel com S. João Baptista; Ela, Rainha, com Jesus, Rei, nos braços; a Sua Coroação como Rainha pela Santíssima Trindade; a Sua Assunção ao Céu. No centro do tecto, Nossa Senhora do Carmo a oferecer o escapulário a S. Simão Stock, rodeada pelos quatro Evangelistas, com os respectivos símbolos: S. Mateus (com o Anjo), S. Marcos (com o leão), S. Lucas (com o touro), S. João (com a águia).
Na parede, do lado direito, encontrará um expressivo quadro de Jesus Misericordioso. Na parede, do lado esquerdo, uma magnífica tela da Apresentação de Nossa Senhora no Templo, oferta de um amigo dos Marianos, Jan Tomaszewski.

Quarto do Venerável Servo de Deus Frei Casimiro

À saída da Igreja, voltando à direita, entrando para o Convento e abrindo, à esquerda, uma porta, umas escadas o conduzirão ao quarto do Servo de Deus Frei Casimiro, onde tudo convida à meditação sobre a simplicidade: um expressivo crucifixo; um pobre catre que lhe terá servido de leito até à morte; uma bengala que lhe terá servido de apoio nas subidas e descidas da montanha de Balsamão e nas idas e vindas pelas paróquias vizinhas a evangelizar; um baú, em couro, que lhe terá servido na viagem até Balsamão; numerosos ex-votos por graças obtidas por sua intercessão; um antigo e pequeno quadro, com uma gravura sobre o mistério da Imaculada Conceição (S. Joaquim, santa Ana e a Imaculada Conceição), venerado no primeiro convento dos Marianos, na Polónia, e que terá inspirado a feitura do conjunto escultórico que encontramos na Igreja; outros objectos devocionais.

Claustros

Passará, depois, ao antigo claustro com uma cisterna de estilo mourisco, destinada a recolher as águas da chuva. E poderás admirar ainda o claustro novo com dois pisos, o laranjal que aí se encontra e outras árvores de fruta. O edifício da ala sul deste claustro é zona reservada à Comunidade religiosa dos Marianos; na ala nascente e na ala norte ficam os quartos da Casa de Retiro e Repouso do Convento de Balsamão; na ala poente, a sala entre o claustro antigo e o novo é o Museu de Balsamão, inaugurado em 2005; o rés-do-chão da ala norte é um grande salão polivalente, para festas e banquetes.

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Monumento ao Venerável Frei Casimiro

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Saindo para o adro da Igreja, do seu lado esquerdo, irá descobrir uma linda obra escultórica em mármore (do escultor Jaime Santos e do marmorista Manuel Machado), que evoca a figura do Venerável Frei Casimiro, benzida no dia 1 de Maio de 2004, na celebração Jubilar dos 250 anos da vinda dos Marianos para Balsamão (por intermédia do Frei Casimiro) e dos 50 anos do seu regresso. Este monumento apresenta-nos o zelo missionário do Frei Casimiro, que desejava ir por todo o mundo fundar comunidades da Ordem da Imaculada Conceição, o meio mais adequado que encontrava para defender e divulgar o culto ao mistério da Imaculada Conceição, pelo qual estava enamorado.

 Jardim

Do adro da Igreja e de junto do monumento ao Frei Casimiro, entrando por um velho portal, que regista a data da sua construção (1783), gostará de inebriar-se, sobretudo na Primavera, com o perfume das flores próprias dos mais variados climas, no encantador jardim que circunda o Convento e envolve a gruta de Nossa Senhora de Lurdes, na qual poderá contemplar a mais Bela Rosa deste Paraíso numa elegante estátua da Imaculada Conceição, erecta em memória das célebres aparições da Virgem, em França, em 1858, quando Ela disse à jovem Bernardete: «Eu sou a Imaculada Conceição», como que a confirmar o dogma de fé em tal mistério mariano, proclamado em 1854 pelo Papa Pio IX.
Passeando à volta do Convento, poderá apreciar ainda a originalidade e a beleza das suas diferentes fachadas, obra recente do arquitecto Vítor Forte.

Miradouros

Não deixe de subir ao miradouro da torre da água, onde lhe apetecerá, a qualquer hora do dia, ficar estático perante o deslumbrante panorama que seus olhos descortinam ao longe e ao perto, para baixo e para cima, e seus lábios acabarão por descolar-se a fim de se associarem ao chilrear dos pássaros de todas as espécies, ao zumbir das abelhas, ao latir dos cães, para cantar em uníssono a singela quadra que o povo vem cantando ao longo dos séculos em honra da Senhora que aqui tem brilhado como «A Estrela da Evangelização» e tem verdadeiramente actuado como «A Senhora da Libertação», «A Divina Enfermeira», «A Mãe da Reconciliação», «A Defensora e Protectora da família cristã»:

«Ó Senhora de Balsamão,
onde estás tão metidinha!
entre os Olmos e Chacim,
o Lombo e a Paradinha…»

A terminar o passeio à volta do Convento, em frente à cozinha e ao refeitório dos hóspedes, pode subir à esplanada e miradouro, apreciando a linda paisagem que se vislumbra: a Serra de Bornes, Chacim, com os seus olivais, Malta, as Termas da Abilheira, a Quinta do Convento e, se for ao anoitecer, um lindo pôr-do-sol.

Monumento ao Beato Estanislau, Fundador dos Marianos

Saindo do miradouro em frente à cozinha e descendo a estrada, a cerca de cem metros, encontrará o parque do Beato Estanislau, onde se ergue uma obra escultórica em bronze (do escultor Jaime Santos), que evoca a figura do Beato Estanislau Papzcynski, Fundador da Congregação dos Marianos, benzida na Celebração solene de Acção de Graças pela sua beatificação, a 20 de Setembro de 2008. Este monumento representa o Bem-aventurado Estanislau como apóstolo do amor misericordioso de Deus. É um convite a sermos como ele.
Eis o significado dos elementos simbólicos do monumento:

1. A cruz como expressão/revelação máxima do amor misericordioso de Deus, como Boa Nova, anúncio alegre de libertação do pecado e de todo o mal.
2. A Imaculada Conceição como primeiro e mais belo fruto do amor misericordioso de Deus, porque gratuita e plenamente salva do pecado e toda de Deus e para os homens, exultando de alegria no Senhor. Foi assim que o Bem-aventurado Estanislau compreendeu a Imaculada Conceição.
3. O Bem-aventurado Estanislau como imagem viva da misericórdia de Deus, nele mesmo e na sua acção libertadora: no socorro às almas do purgatório e no anúncio do Evangelho do amor misericordioso aos homens, aos pobres de hoje. O Bem-aventurado Estanislau está entre “os que estão vestidos de branco e de palmas nas suas mãos” e que o livro do Apocalipse define como “aqueles que vieram da grande tribulação; lavaram os seus vestidos e os branquearam no sangue do cordeiro” (Ap 7, 9.13-14). A sua glória foi a cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo. Foi alguém para quem o mundo estava crucificado para ele e ele para o mundo (cf. Gal 6, 14). Ele pode anunciar o amor misericordioso e libertador de Cristo!
4. A força libertadora do amor misericordioso do Senhor encontra a sua expressão simbólica nas correntes quebradas – junto aos pés do Bem-aventurado – e nos rostos alegres dos rostos de Maria, do Bem-aventurado Estanislau e daqueles que recebem o anúncio do Evangelho.
5. Almas do purgatório e o anúncio do Evangelho aos mais pobres. Além do mistério da Imaculada Conceição como elemento central do Carisma da Congregação que o novo Bem-aventurado fundou, o monumento apresenta também os outros dois elementos da herança carismática do Pe. Estanislau Papczynski: o amor activo para com os irmãos do purgatório e a anúncio do Evangelho aos mais pobres. Isto expressa-se no monumento do seguinte modo: na sua mão direita, o Bem-aventurado Estanislau segura as contas do rosário – símbolo da oração –, donde brota um rio do qual um veado bebe – símbolo das almas do purgatório. “Como o veado anseia pelas águas vivas assim minha alma anseia por vós, Senhor”, assim reza o salmista (Salmo 42). Na mão esquerda, o Bem-aventurado Estanislau segura o livro do Evangelho, onde está escrito “Deus caritas est” (Deus é amor) – símbolo do anúncio do Evangelho do amor misericordioso de Deus. Por baixo, dos rostos – um de um homem e outro de uma mulher – com expressão de felicidade, símbolo daqueles que acolhem o Evangelho.
6. Finalmente, a nuvem que envolve todos os outros motivos do monumento. A nuvem, na Bíblia, é um sinal da presença de Deus, que se revela e se esconde, ao mesmo tempo. Toda a vida do Bem-aventurado Estanislau foi vivida na fé (neste presença obscura de Deus). Nessa nuvem, na parte de trás do monumento, está um triângulo, símbolo da Santíssima Trindade, com o olho da Divina Providência. O Bem-aventurado Estanislau acreditou ser sempre guiado pela providência de Deus, seja no seu caminho pessoal de santidade seja na fundação da Congregação. A nuvem, particularmente nos nossos tempos, também aponta para o sonho. O sonho do Bem-aventurado Estanislau foi a fundação da Congregação dos Marianos. Sonho inspirado e realizado pela Divina Providência, com a colaboração empenhada do Bem-aventurado Estanislau.